quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aprendizagem segundo Piaget

Para que haja uma aprendizagem siginificativa é necessário levar em consideração o desenvolvimento global da criança, as relações que esta consegue estabelecer entre os diversos saberes, sendo que para desencadear este processo, nós educadores temos um papel fundamental, que é enxergar a criança como um “ser de poder”, que chega à escola com múltiplas informações decorrentes de tantas leituras de mundo que já realizou, que possui um repertório próprio, incluindo uma série de hipóteses sobre o mundo que a cerca, respeitando sua potencialidade, porém não esquecendo que é imprescindível fazê-la avançar.

Neste sentido, de acordo com a Epistemologia Genética de Piaget: Quanto mais se constróem estruturas de assimilação mais se abrem possibilidades para aprender. Por outro lado, quanto mais se aprende, mais se constroem estruturas de assimilação, o que garante condições para novas assimilações. Nesse processo, percebe-se a síntese continuada entre as condições estruturais do sujeito (continuidade) e as condições do meio, físico ou social (novidade): “A assimilação funciona como um desafio sobre a acomodação a qual faz originar novas formas de organização” (BECKER, 2001, p. 20-1).

E isto pode ser feito tornando educativo o meio onde estamos inseridos, ampliando as possibilidades de ações oferecendo um ambiente confiável, um meio tranquilizador, que ofereça segurança, pois deste modo estaremos contribuindo e criando condições favoráveis a aprendizagens.

Enfim,“Aprender é proceder a uma síntese indefinidamente renovada entre a continuidade e a novidade” (Inhelder, Bovet e Sinclair, 1977, p.263)“A novidade trazida pela aprendizagem e a continuidade garantida pelo desenvolvimento” (BECKER, 2001a, p.25-6).”

sábado, 1 de agosto de 2009

O que é um portfólio de aprendizagens e para que serve?

Um portfólio de aprendizagens é um instrumento de avaliação que oportuniza à alunos e professores refletir e acompanhar o processo evolutivo da aprendizagem, neste sentido, o acompanhamento por parte de professores, e o registro do aluno, são de extrema importância.
Outro aspecto importante na realização do portfólio, é o acompanhamento por parte do educando da própria aprendizagem, definindo quais trabalhos ou momentos foram mais significativos durante a caminhada, estabelecendo relações entre teoria e prática. Neste sentido, sua organização pode se dar de diversas maneiras, com relatos pessoais, experiências de aulas, trabalhos mais pontuais, pesquisas na internet, livros, jornais, etc, o importante é que lá estejam registrados suas impressões e reflexões a cerca do que foi estudado.
Ao professor, a observação sistemática do registro de seus alunos, fornece pistas sobre seus progressos e, ou dificuldades no processo de aprendizagem, indicando o quê, na continuidade do trabalho, deve ser mantido ou modificado.
Para mim, a construção do blog de aprendizagens, tem como objetivo o registro sistemático das aprendizagens obtidas ao longo do curso, desenvolvendo o hábito de reflexão e argumentação a cerca de nossa caminhada, transmitindo de maneira organizada e coerente nossas descobertas, bem como, posteriormente, agilizar o resgate destas construções a fim de realizar, ao final de cada semestre, a produção do documento propriamente dito, culminando na apresentação do workshop.

Disponível em: http://www.centrorefeducacional.com.br/portfolio.htm

Análise dos textos de Kant e Adorno

De acordo com os textos de Kant e Adorno, é incontestável o fato de que somente através do esclarecimento e de uma educação reflexiva é possível que o homem se torne um verdadeiro homem, capaz de saber discernir o certo do errado, o bem do mal. E que a única maneira de avançarmos contra o caráter manipulativo da sociedade atual é a autonomia, a reflexão e autodeterminação do sujeito, no sentido de compreender os acontecimentos históricos do passado e relacioná-los às consequências na sociedade de hoje criticamente. Para tanto, como diz Kant: “não é suficiente treinar as crianças, é preciso que aprendam a pensar.”
Também, de acordo com os autores, a única maneira de evitar-se a volta á bárbarie ou selvageria é a autonomia, a força para a reflexão, para a autodeterminação, para a não participação. Neste sentido, mais que mudanças na educação é necessário uma mudança na prática educativa, como diz Kant: “a educação é uma arte, cuja prática deve ser aperfeiçoada por várias gerações, ela é o maior e o mais árduo problema que pode ser proposto aos homens.” Assim, nós educadores temos que ter em mente a importância que a educação tem no processo de formação da consciência crítica. Somente pela educação que as pessoas serão capazes de construir a sua criticidade perante a sociedade. Consequentemente, deixarão de ser ingênuas, objeto de exploração dos poderosos e serão sujeitos do processo educativo, com consciência própria e crítica sobre a realidade. Portanto, na prática, o educador não deve só ensinar os conteúdos pré-estabelecidos, mas também ensinar aos educandos refletir sobre eles, questioná-los, tornando-se assim sujeitos de sua própria história e partícipes do processo.

Importância da Inclusão das Questões Étnico-Raciais nos currículos das escolas no Brasil

De acordo com os estudos da interdisciplina acredito que um dos motivos que torna a inclusão das questões étnico-raciais importante e fundamental é resgatar nos nossos alunos, e até mesmo em nós, a construção da identidade cultural, a busca pela ancestralidade, percebendo-se como continuador de uma história. Somente assim, como descreve sabiamente o autor, poderemos resgatar nos nossos educandos a sua identidade, o sentido de família, de pertencimento a um grupo, valores estes que, por falta de acompanhamento familiar não possuem.
Outro motivo pelo qual se torna extremamente importante o estudo das questões étnico-raciais é a reflexão e o debate acerca das relações sociais que envolvem esta consciência étnica, compreendendo as representações de raça, classe e gênero como resultado de lutas sociais mais amplas, reconhecendo os conflitos mais amplos que formam a sociedade, para convocar a todos para uma transformação desta mesma sociedade. Nesta tarefa, nós professores somos convocados a buscar a coragem de assumir riscos por uma pedagogia crítica como uma forma de política cultural. Paulo Freire nos ensina que não existe um processo educacional neutro. A educação pode funcionar como instrumento usado para facilitar a integração da geração mais jovem na lógica do sistema atual e trazer conformidade a ela, como também pode tornar-se a “prática da liberdade” - o meio através do qual homens e mulheres lidam crítica e criativamente com a realidade e descobrem como participar da transformação de seu mundo.
Educadores e educandos podem descobrir, então, um processo transformador de formas diferenciadas de re-leitura do mundo, de resistência à opressão, de visões de criticidade que os movam a reconhecer as forças que formatam a identidade, o limite da consciência reflexiva e as estratégias opressivas implícitas na forma como o conhecimento, valores e identidades são construídos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

FOTOS MOSAICO ÉTNICO

Questões Étnico-Raciais

MOSAICO ÉTNICO

A atividade foi realizada com alunos de 5º e 6º anos. Iniciei a proposta questionando-os sobre o que entendiam sobre a palavra "étnico". Depois de muitas dúvidas, disseram que étnico vinha da palavra etnia que significava raça. Expliquei que étnico era um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa que a faz reconhecer-se pertencente a um determinado povo, ao qual se liga por traços comuns de semelhança física, cultural e histórica. Em seguida questionei-os sobre as características da turma, se todos nós tínhamos as mesmas semelhanças físicas, culturais e históricas. A turma depois de debater o assunto chegou a conclusão que não, pois cada um de nós possuía características físicas e histórias diferentes. Perguntei então se o povo brasileiro, da mesma forma que a turma, também era constituído por grupos étnicos diferenciados. Disseram que sim, existem negros, brancos e índios. Propus então que a partir de recortes de revistas a turma, dividida em grupos de 5 alunos, construísse um mosaico étnico, constituído de pessoas que representassem estas diferenças. A execução foi livre e os alunos mostraram-se muito envolvidos, por vezes reclamavam dizendo que estava difícil encontrar negros ou índios nas revistas, e que a maioria das fotos eram de pessoas brancas. Questionados a respeito disseram que os brancos tinham mais chances de se tornarem artistas, e que quando achavam fotos de negros muitas vezes os artigos envolviam crimes. Índios então praticamente não existia, porque quase não se fala neles. Enfim, a execução da atividade foi muito proveitosa e terá continuidade já que os alunos propuseram trazer fotos de casa e construir um mosaico étnico da turma.

Questões Étnico-Raciais

UM MUNDO PARA TODOS

"O grande desafio da escola é investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada pela diversidade étnico cultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade."

(Parâmetros Curriculares Nacionais)
Um mundo para todos foi um projeto desenvolvido na minha escola no ano passado, retirado do livro: Almanaque Pedagógico Afrobrasileiro, da autora Rosa Margarida de Carvalho Rocha.
Para execução do projeto foram escolhidas as turmas de 2º e 3º ciclos (equivalente ao 5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos do ensino de 9 anos). Estiveram envolvidos todos os professores da diversas áreas do conhecimento, numa proposta interdisciplinar, culminando numa exposição de todos os trabalhos realizados pelos alunos na Feira do Livro da nossa escola.
Segue abaixo o link para o documento contendo o projeto e os objetivos do mesmo.