De acordo com os estudos da interdisciplina acredito que um dos motivos que torna a inclusão das questões étnico-raciais importante e fundamental é resgatar nos nossos alunos, e até mesmo em nós, a construção da identidade cultural, a busca pela ancestralidade, percebendo-se como continuador de uma história. Somente assim, como descreve sabiamente o autor, poderemos resgatar nos nossos educandos a sua identidade, o sentido de família, de pertencimento a um grupo, valores estes que, por falta de acompanhamento familiar não possuem.
Outro motivo pelo qual se torna extremamente importante o estudo das questões étnico-raciais é a reflexão e o debate acerca das relações sociais que envolvem esta consciência étnica, compreendendo as representações de raça, classe e gênero como resultado de lutas sociais mais amplas, reconhecendo os conflitos mais amplos que formam a sociedade, para convocar a todos para uma transformação desta mesma sociedade. Nesta tarefa, nós professores somos convocados a buscar a coragem de assumir riscos por uma pedagogia crítica como uma forma de política cultural. Paulo Freire nos ensina que não existe um processo educacional neutro. A educação pode funcionar como instrumento usado para facilitar a integração da geração mais jovem na lógica do sistema atual e trazer conformidade a ela, como também pode tornar-se a “prática da liberdade” - o meio através do qual homens e mulheres lidam crítica e criativamente com a realidade e descobrem como participar da transformação de seu mundo.
Educadores e educandos podem descobrir, então, um processo transformador de formas diferenciadas de re-leitura do mundo, de resistência à opressão, de visões de criticidade que os movam a reconhecer as forças que formatam a identidade, o limite da consciência reflexiva e as estratégias opressivas implícitas na forma como o conhecimento, valores e identidades são construídos.
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sábado, 1 de agosto de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Questões Étnico-Raciais
MOSAICO ÉTNICO
A atividade foi realizada com alunos de 5º e 6º anos. Iniciei a proposta questionando-os sobre o que entendiam sobre a palavra "étnico". Depois de muitas dúvidas, disseram que étnico vinha da palavra etnia que significava raça. Expliquei que étnico era um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa que a faz reconhecer-se pertencente a um determinado povo, ao qual se liga por traços comuns de semelhança física, cultural e histórica. Em seguida questionei-os sobre as características da turma, se todos nós tínhamos as mesmas semelhanças físicas, culturais e históricas. A turma depois de debater o assunto chegou a conclusão que não, pois cada um de nós possuía características físicas e histórias diferentes. Perguntei então se o povo brasileiro, da mesma forma que a turma, também era constituído por grupos étnicos diferenciados. Disseram que sim, existem negros, brancos e índios. Propus então que a partir de recortes de revistas a turma, dividida em grupos de 5 alunos, construísse um mosaico étnico, constituído de pessoas que representassem estas diferenças. A execução foi livre e os alunos mostraram-se muito envolvidos, por vezes reclamavam dizendo que estava difícil encontrar negros ou índios nas revistas, e que a maioria das fotos eram de pessoas brancas. Questionados a respeito disseram que os brancos tinham mais chances de se tornarem artistas, e que quando achavam fotos de negros muitas vezes os artigos envolviam crimes. Índios então praticamente não existia, porque quase não se fala neles. Enfim, a execução da atividade foi muito proveitosa e terá continuidade já que os alunos propuseram trazer fotos de casa e construir um mosaico étnico da turma.
Questões Étnico-Raciais
UM MUNDO PARA TODOS
"O grande desafio da escola é investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada pela diversidade étnico cultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade."(Parâmetros Curriculares Nacionais)
Um mundo para todos foi um projeto desenvolvido na minha escola no ano passado, retirado do livro: Almanaque Pedagógico Afrobrasileiro, da autora Rosa Margarida de Carvalho Rocha.
Para execução do projeto foram escolhidas as turmas de 2º e 3º ciclos (equivalente ao 5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos do ensino de 9 anos). Estiveram envolvidos todos os professores da diversas áreas do conhecimento, numa proposta interdisciplinar, culminando numa exposição de todos os trabalhos realizados pelos alunos na Feira do Livro da nossa escola.
Segue abaixo o link para o documento contendo o projeto e os objetivos do mesmo.
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